Each week, I share here not only my artwork, but also what it´s called "Artist Date of the Week". Something taken from Julia Cameron that inspires me to live the creative life and gives you a glimpse of the real person I am and the inspiration behind my works.
This week I created something inspired by a book "Learned from my mother".
In Portuguese:
O encontro artístico dessa semana trata de um livro de contos no qual 52 personalidades, entre atrizes, cantoras, músicos, empresárias, chefes de cozinha, designers, atletas, escritores, jornalistas, fotógrafos, padres e políticos. São grandes nomes como Arnaldo Jabor, Bob Wolfeson, Contardo Calligaris, Cleyde Yáconis, Eduardo Gianetti, Eduardo Suplicy, Fernanda Porto, Frei Betto, Giovanna Antonelli, Heloisa Schürmann, Joyce Pascowitch, Luana Piovani, Maria Adelaide Amaral, Paulo Maluf, Simoninha, Sonia Braga, Supla e Ziraldo, entre outros que abrem suas memórias particulares para falar de suas mães.
Um livro fantástico, de contos memoráveis.
De início me vinham lágrimas nos olhos em cada conto que terminava, mas a leitura também envolve contos ótimos, alguns banais, alguns curiosos, alguns cheios de mágoas e traumas.
Ainda que nem todas as personalidades tenham o dom da boa escrita, o livro contém preciosidades e relatos que conseguem, pela beleza de um momento, retratar a grandeza e o amor de uma pessoa. É emocionante acompanhar a história da mãe que acolhe o filho após dias e dias de tortura com um banho quente aconchegante; a da mãe que, para espantar a crueza da miséria e da fome das filhas, enfeitava a única lâmpada do conteiner em que viviam com o celofane e punha suas meninas para dançar. Enfim, com muita criatividade, cada uma a seu tempo e época, vemos que, pelo menos para seus filhos, as mães são as pessoas mais importantes do mundo. Geram traumas, mas também deixam lições. A vida é assim.
Tenho dois preferidos, que não me saem da memória, "Marchoclo" e "Alzirão cobertor".
Marchoclo é engraçadíssimo, retrata uma mãe que de perfeita não tinha nada, péssima cozinheira, mas conscienciosa de seus deveres. Nos dias em que ficava sem empregada, precisando dar comida para as filhas logo cedo pela manhã, ela inventou um prato rápido à base de latas de milho, ervilha e molho de tomate e servia às meninas que dele faziam piada e o apelidarm de "Marcholo" - de Martha (o nome da mãe) e choclo (milho em espanhol). O divertido conto, que retrata perfeitamente algumas saídas criativas que as mães têm que inventar para contornar as dificuldades de criar seus filhos, acaba trazendo a melhor moral da história de todos: "relaxe" - é o conselho da autora, "não esquente a cabeça com bobagem. Não se sinta culpada por pouca coisa. Não complique o que pode ser simples. Se não tiver tempo de preparar arroz, feijão, bife e brócolos, vá de Marchoclo sem traumas. As crianças crescem do mesmo jeito, com ou sem culpa de mãe". (Carolina Issler in "Aprendi com minha mãe", coletânea de Cristina Ramalho - Versar - Editora Saraiva, pp. 45-48)
Cleide Yáconis e Cacilda Becker tiveram a sorte de poderem contar com uma mãe maravilhosa no meio da miséria extrema a que foram relegadas pelo abandono do pai, que cruelmente dela se divorciou numa época em que a sociedade não admitia mulheres divorciadas, não importanto para tanto sequer os motivos do término do casamento. Em "Alzirão cobertor", vê-se outra saída criativa desta mulher batalhadora: "Todos os meses, o pagamento de mamãe só dava para comprar um saco de arroz, um de feijão e um de batata - e nisso consistiam nossas refeições. Às vezes remexiamos o lixo, catávamos restos de comida. Nem sempre encontrávamos coisa aproveitável. Então, quanto a fome batia, mamãe pegava um pedaço de papel celofane colorido e colocava em volta da única lâmpada da nossa casa-contêiner para Cacilda dançar. Cacilda dançava, nós ríamos, nos empolgávamos e esquecíamos da fome. Mamãe driblava as dificuldades com a beleza". (Cleyde Yáconis in "Aprendi com minha mãe, coletânea de Cristina Ramalho - Versar - Editora Saraiva, p. 54)
Revirando as páginas desse pequeno tesouro, lá fui eu revirar também as minhas memórias para montar uma página em que escrevi uma carta para minha filha.
A página é esta: "Letter to You":
Nela inclui um pequeno envelope para guardar, ainda que lacrada, a minha cartinha para a pequena Bebel.
Vou partilhar com vocês o que escrevi:
Aprendi com Você
Minha querida filha,
Estava outro dia lendo um livro cujo título é “Aprendi com minha mãe” e comecei a ficar seriamente preocupada. Ali algumas personalidades contavam o que aprenderam com a mãe. Em meio a relatos banais, encontravam-se preciosidades e lembranças dessas que fazem chorar e rir e emocionam pra valer. Mulheres extraordinárias que viveram guerras, situações de miséria extrema, que enfrentaram a ditadura, separações, traumas. Mulheres normais que faziam coisas lindas para o lar ou mesmo mulheres meio relapsas com o lar, mas que davam aos filhos uma vida criativa e alegre (essa a minha categoria!)
Como era de se esperar, já no segundo conto a reflexão sobre o que aprendi com minha mãe e o que ensino a você já era uma preocupação.
Puxa, não tenho nenhuma daquelas habilidades de mãe de antigamente: não sei costurar, não cozinho, não bordo, não sou do lar, nada disso. Sou uma mãe vencedora, que tem um cargo importante pelo qual lutou muito e, por conta disso e de um hobby que acaba tomando ares de algo mais eu estou sempre ocupada, mesmo que esteja fisicamente por perto. Então, filha, a verdade é que estou com medo de ser uma mãe ausente.
Não que eu desejasse a você uma mãe do tipo super protetora. Queria ser uma mãe protetora, sem sufocar. Uma mãe compreensiva, que partilhasse segredos com você e que pudesse educá-la da melhor forma possível, talvez reproduzindo muito do que aprendi com a minha mãe: que somos capazes de tudo, que temos que ter responsabilidade, que temos que ser corretas, batalhadoras e independentes!
Mas acho que não é ausência deixar você fazer suas escolhas e dar seus próprios passos. Filha, sinceramente, a melhor lição que minha mãe me ensinou foi essa : VIVER A VIDA SEM CULPA! Minha mãe educou-me de forma que eu tivesse autoconfiança e fez-me uma pessoa independente, estando presente na minha vida, ainda que sem interferir, e respeitando o meu espaço.
Puxa, pensando bem, isso foi maravilhoso!!!
Por conta disso, jamais esperei que ela resolvesse meus problemas, jamais a culpei por algo que não consegui, jamais esperei que ela ou quem quer que fosse me acompanhasse em minhas escolhas, porque, minha filha, aprendi com minha mãe que – ninguém, mas ninguém mesmo pode viver a minha vida!
Portanto, filha, pensando nisso, essa é minha redenção! Não vou me culpar por nada. Não vou me culpar pelo meu trabalho, pelos meus scraps, pelas gororobas, nem pelo tempo que dedico a mim mesma!
E também não espere que a mamãe resolva nada por você. Suas vitórias, fracassos, erros e acertos, desde o primeiro momento em que alguém cortou o cordão umbilical, só dependem de você.
É claro que, durante seu caminho, que não será solitário, estarei por aqui, acompanhando tudo da primeira fila, te adorando. É claro que vou procurar te passar meus valores morais, escolher no que me couber o melhor para você e partilhar com você tudo o que tenho. Mas deixarei você livre para viver e para viver sem culpa! Não pense em me agradar, pense naquilo que pode satisfazer a você – se você estiver feliz, é o que importa! Tente sempre! Se você não conseguir, ao menos tentou. Nunca sabemos o quanto falta para chegarmos lá – o que sabemos é que de tudo somos capazes! Basta esforço próprio! Aprenda sempre com seus erros – se não conseguiu algo, reflita para saber o que poderia melhorar e não culpe o professor, o colega, o marido, o pai, o filho....
Felicidade é curta e passageira e se torna praticamente impossível de alcançar quando não se vive para si mesma, mas pensando em agradar alguém. Portanto, busque a sua com todas as suas forças, todavia, não deixe de abrir mão do que quer que seja quando tiver seus próprios filhos!
Filhos dão sentido à vida e por eles tudo vale a pena! A doação é tão ampla que não há o que cobrar, é tudo por amor.
É isso o que me faz como sou. É isso o que quero que aprenda comigo!
E eu, o que aprendi com você? O sentido da vida, o sentido da palavra “amor incondicional”, o sentido da palavra doação, o sentido da felicidade.
Um ótimo dia pra vocês!
Hoje estou em Floripa, ensinando as meninas a fazerem a parte artística deste layout e partilhando com elas este encontro artístico - mas você também não ficou de fora!





21 comments:
Caraca!!!!
Lindo encontro artistico, lindo LO e carta espetacular para sua filhota!
Parabens Lari por tanta sensibilidade em captar tudo à sua volta e a partir de um livro, relatos de vida conseguir passar toda essa emoção para uma pagina de scrap e assim eternizar para sua filha o q vc sentiu!
bjkass
Leila
Lari, estou com lágrimas nos olhos, além da página estar linda, seu texto me emocionou profundamente, muito lindo e denso!!! Beijos
Muito emocionante! Parabéns! Bjs
Linda carta Lari.
Não me senti tão só nesse mundo de meu Deus. Muito do que escreveu ali, eu sinto em relação
á minha guria também.
Òtimo findi pra vcs.
Fiquei com vontade de ler este livro, obrigada pela dica.
A carta para sua filha é emocionante e quando ela ler e entender tudo o que está escrito te amará mais ainda.
Parabéns por suas conquistas.
Wow! SO incredibly beautiful!!! This is probably my fave page of yours to date! LOVE it to bits! Hugs!
Lari ,
o LO está divino ,o post lindo e a carta maravilhosa !
Li e reli a carta e cada dia lhe admiro mais !!!!!
Beijos ,boa viagem e um ótimo final de semana!
Lari,
maravilhosa a clareza com que você colocou para sua filha quem você é, e com certeza seria muito semelhante a quem eu sou e quem muitas outras mulheres sao. Por que a CULPA? Afinal, estamos tentando sempre fazer o nosso melhor!!!
Te admiro muito!!!
bjs
Lari...minhas lãgrimas escorrem....e eu estou aqui emocionada em ler este POST..a carta que fez para a sua filha ~e linda demais!!!!1
Vou comprar este livro e escrever uma carta para minha màe e outra para meus 3 filhos.... o mais velho vai para India...já estou com o coração apertado...
Um beijo grande e adorei a sugestão do livro.
Com carinho
Cynthia
Preciso deste livro. Estou com os olhos mareados e me sentindo completamente culpada pelos motivos inversos que os seus. Não tenho tempo pra mim, alias tenho as madrugadas, abri mão de tudo por causa dos meus fillhos, M^e sinto culpada pelo meu hobby, me sinto culpada por ter parado de trabalhar, e me sentia culpada quando trabalhava. Agora sinto culpa por estar aqui trabalhando de madrugada porque amanha não terei a mesma disposição para estar com eles, culpa, culpa, acabei de aprender com vc que preciso me libertar disso. Nossa preciso escrever no divã pois estou viajando aqui, vc tocou no meu ponto fraco, acho que já atē conversamos sobre isso, aff
Layout lindo, com cerrteza a Bebel tem muito orgulho de vc.
Beijos
wow ... tudo está maravilhoso !
A dica do livro é fantastica, já foi para a minha lista de livros a serem lidos, o LO está incrível e a carta para a sua filha é emocionante ... será uma lembrança inesquecível e de valor intangível para toda a vida !
Parabéns por tudo e obrigado por compartilhar memórias tão pessoais !
Bjs
Lari
foi uma manhã incrivel, mesmo passando tão rápido!!! Cheguei em casa super inspirada!
A vida que levamos hoje não aquela dos nossos pais...o dia tinha que ter 36 horas pra fazermos todo o planejado e como vc disse , os filhos se criam de um jeito ou de outro e as experiências que eles vivem e vão levar com eles são outras mas nem um pouco menos importantes!!!
Um beijão
Bi
Lari tu [e mesmo dos Deuses...quantas páginas lindas fizemos!!!!!!!
Muito obrigada por compartilhar teus projetos...
Mais uma vez obrigada pelo dia lúdico de ontem!!!!!
Venha mais vezes pra cá... Beijos e mais beijos!!!!
OI Lari, adorei passar um dia fazendo scrap com você.
O Encontro artistico que vc nos trouxe é maravilhoso, cheio de reflexões e sentimentos.
Foi muito bom te conhecer pessoalmente, ver essa pessoa super para cima, animada, disposta, um exemplo!
E foi bom relembrar, fazer scrap para si mesma.
Enfim, gostei muito mesmo do dia de ontem, do nosso grupo animado, da professora, dos projetos. Espero ter mais encontros assim.
E como disse, se já era fã, agora fiquei mais ainda!
Beijos e bom domingo.
Demais a carta para sua filha. Emocionante mesmo.
Ah, lindos projetos!!! Que invejinha de não estar lá...
Bjs
Muito lindo este post, cheio de reflexões e sentimento. O jeito como vc conduz sua criação nos inspira a ver as coisas de outros ângulos, usar outras lentes.
Ainda vou fazer uma aula sua na feira de Sampa!!!
deixei um selinho para vc no meu bloguinho!bjkas!!!
Uau, não sei o que é mais lindo, a carta ou o LO...
Espetacula!!!!!!!!!!!!!
Lari, querida!
Nào sei nem o que dizer, você é demais!!! Agora foi a minha vez de chorar, nosso sabado realmente foi muito emocionante!!!
Muitos beijos
Márcia
Amei demais!!!
Você sempre me emociona querida.
bjs
Muito lindo Lari o seu texto, sua filha, tenho certeza, vai ser sempre muito "proud" de voce.
bjao e obrigada pelo dia maravilhoso em Floripa.
Uauuuuuu Lari que relato lindo,quero ler este livro,e obrigada por dividir esta carta maravilhosaaaaaaa!
bjus!
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