The new challenge at the Inspired by Amélie blog is about an alter ego.
Here is my take.
"My mother is a writer. She has published her work and I got very sad when I read a story which she told about one housekeeper that was totally depressed. She was tearing papers, throwing them all over the house and nobody noticed her.
The metaphor she used to describe this housekeeper, who I think was herself, was a snail crawling through the garden, carrying a house in the back and being unnoticed.
She wrote:
“Nobody noticed she was asking for help: - Save me! I´m sinking! Going nowhere with no reason…”
When I think of my alter ego I imagine a fairy that is able to do good for everybody, make everybody´s dreams come true… but, when I realize my mother herself is sinking and nobody can help, not even her daughter, I just wish I could save her"
Her story is published here in Portuguese:http://66.228.120.252/contosinsolitos/1238679
And the photo I used is an art print by "twosisters" I bought at esty http://www.etsy.com/shop.php?user_id=5577833
Her story in Portuguese:
"Papéis Picados
Jogando papéis picados pela casa toda, sem nem perceber o que fazia...
Ficando horas ociosas, olhando um ponto invisível, sem se mexer...
- Mãe, onde estã o meu blusão do colégio?
- Querida, você viu a minha gravata azul?
- Patroa, acabou a Cândida!
- Mãe,me leva no judô?
- Amor, dá para apressar esse jantar?
Esquecendo o feijão no fogo, quase queimando...
Dirigindo automaticamente, quase batendo numa van da Ponte Orca...
Continuando a picar papeizinhos e a jogá-los pela casa toda, quase não percebendo...
(Ninguém notava que ela estava pedindo socorro, acuada, estou afundando, indo não sei para onde, nem sei porquê.)
- Patroa, preciso sair mais cedo!
- Querida, minhas meias estão desparceiradas
( E ninguém notava nada. No filme do Jack Nicholson e da Meryl Streep, esqueceu o nome, só lembra os atores, isso foi o começo do fim do casamento, só que era o marido que misturava os pares de meias.)
- Mãe, posso ir na casa da Milu?
- Mãe, vou jogar bola com o Beto.
(E ela, quando poderia ir à casa de outra Milu qualquer, ou jogar bola, ou baralho, em casa de alguém?)
- Patroa, de onde vêm esses papéis que canso de varrê?
(Ninguém notava que era ela, ela era, ninguém parecia saber sequer que ela estava ali, cortando legumes, fazendo comida, olhando o nada, assistindo à televisão sem ver, olhava, olhava, mas não via...)
Continuava fingindo ser ela mesma, cada vez mais alheia a tudo, zanzando pela casa sem parar...
E o número de papeizinhos cortados, jogados pela casa toda, aumentando, aumentando...
E a faxineira reclamando:
- Num dô conta desse serviço, é papér qui num acaba mais.
E os filhos continuando, pedindo (-Mãe, me faz um lanchinho), insistindo (-Mãe... Mãe...), andando, falando, saindo mais do que entrando...
E o marido cada vez mais se ausentando de casa, chegando tarde, sem a beijar...
E ela entrando cada vez mais para dentro de si mesma, fechando-se, arrumando como que uma casa só sua, onde não tivesse sentido picar papéis, nem tentar entender os outros.
- Querida, onde está você?
- Patroa, cadê a senhora?
- Mãe, cadê você? ? Tô com pressa. Pai, onde ela foi?
- Num sei onde a patroa se meteu.
- Querida, deixe de brincadeira, apareçca!
- Mãe!...
- Mãe!...
Mas, nada dela... Só os papéis picados espalhados pela casa toda.
Ninguém a vira.
Sumira.
Desaparecera.
(E ninguém notou um caracol preguiçoso, ensimesmado, levando consigo a sua casa, lentamente, arrastando-se e arrastando sua solidão pelo jardim ermo e escuro.)"
Magali Crescini
Está publicada aqui:
http://66.228.120.252/contosinsolitos/1238679
Visitem, leiam a estória e deixem um comentário p/ ela!
Quando vi o desafio do blog da Amélie deste mes, pensei seriamente em não fazê-lo, e olhem que jamais pulei sequer um de meus deveres como Dream Team... Mas tenho a impressão de que nada ocorre por acaso em minha vida. Pois bem, eu resolvi trabalhar o layout no último dia do prazo, às pressas, visto que estou em vias de ir viajar e cheia de coisas para fazer. E não é que saiu o LO mais profundo que já fiz?
Jamais tinha pensado em "alter ego" ou coisas do tipo, mas quando discuti o tema com meu marido ele me lembrou o quanto adoro fadas. A grande ironia é que Amélie, no filme, numa cena específica, sente remorsos de não poder ajudar o próprio pai, quando tanto já tinha feito pelos outros. E foi esta a minha idéia, que encontrou uma foto perfeita em que vocês podem visualizar o caracol em que minha mãe foi se refugiar. E o engraçado é que, à época em que ela escreveu esse conto, a idéia que eu tinha dela era mesmo de algúem que estava se refugiando dentro de si mesma!
O conto já tem algum tempo, acho que ela está bem mais feliz hoje, mas, de qualquer forma, traduzo o meu trabalho (o que detesto fazer, pois adoro pensar que ninguém vai entender totalmente minha mensagem secreta...) para que ela saiba que nós sempre percebemos tudo isso e sempre quisemos ajudar! Não foi um anão de jardim que a fez deixar seu caracol, mas, por outras circunstâncias ela acabou por vir para perto de mim, saindo de sua toca, o que nos deixa felizes.
Se eu fosse uma fada, eu gostaria de torná-la uma borboleta, gostaria que ela entendesse como a vida pode ser bela fora deste caracol.











